Sara Inês Serafim no atelier, em Vila Nova de Gaia, rodeada das ferramentas com que faz cada peça.
Sobre

Nasci surda. Aprendi a fazer-me ouvir de outras formas.

Sou a Sara Inês Serafim. Faço jóias à mão, em prata de lei, no meu atelier em Vila Nova de Gaia, desde 2017. A Hoyara é onde tudo o que não digo em voz alta vive.

Pormenor das mãos da Sara a trabalhar uma peça em prata.
A casa onde aprendi tudo

As mãos foram, e ainda são, a minha forma de dizer.

Nasci com surdez profunda nos dois ouvidos. Quando eu era pequena, a minha mãe começou a aprender Língua Gestual Portuguesa para poder falar comigo. Cresci a ver alguém escolher fazer um esforço enorme só para que eu não me sentisse sozinha.

Hoje, quando faço uma peça à mão, a memória dessa escolha vem comigo. Aprendi cedo que as mãos podem dizer tudo o que é importante. As minhas continuam a tentar.

Cantinho do atelier com ferramentas, peças em curso e materiais.
Verão de 2017

Tudo começou num mês na Praia da Coelha.

Tinha 23 anos. Passei um mês inteiro no Algarve. Ia todos os dias à mesma praia, ficava horas a olhar para o mar, para as conchas, para as pedras pequenas que a água trazia. À noite voltava para o quarto e desenhava o que tinha visto.

Quando regressei, já tinha um nome para o que queria fazer. As primeiras coleções, Marítima, Shell e Ondina, ainda guardam a água daquele verão.

Bancada do atelier com peças quase prontas.
O nome

Hoyara é uma planta e um nome juntos.

Hoya carnosa é uma planta que floresce todos os anos por volta do meu aniversário. Foi-me oferecida pela minha mãe e ainda a tenho aqui no atelier. Quando juntei o nome dela ao meu, saiu Hoyara.

Quando dou um nome a uma peça, faço-o a pensar que vai durar mais tempo do que a moda. Como a Hoya. Como o meu nome.

"Quero que a jóia seja um espelho, não só um adorno."
Sara Inês Serafim, LuxWoman, 2025
O processo

Feita à mão, peça a peça.

Sara concentrada à bancada, iluminada pelo candeeiro de trabalho.

Estudei design de interiores na ESAD, em Matosinhos, e joalharia na Alquimia-Lab, no Porto. Continuo a aprender com cada peça que faço.

Pormenor das mãos a moldar um anel sobre uma chapa de couro.

Trabalho com prata de lei 925, comprada a fornecedores portugueses. Quando uma peça leva banho de ouro, é em ouro 24 quilates, aplicado sobre a prata. Cada anel, cada brinco, cada colar é cortado, soldado, limado e polido à mão, no atelier em Vila Nova de Gaia, uma peça de cada vez.

Polimento de uma peça no torno, com o disco em movimento.

Algumas levam horas. Outras levam dias. Não há linhas de produção. Quando uma peça sai daqui, é porque passou pelas minhas mãos do princípio ao fim.

Sara à bancada, no atelier em Vila Nova de Gaia.
Para além das peças

A Hoyara é uma marca de joalharia. E mais qualquer coisa.

Em 2025, co-organizámos com a Associação Portuguesa de Surdos o primeiro Mercado Surdo em Portugal. Em outras alturas, contratei equipas inteiras só com pessoas surdas para o lançamento de coleções. Há uma luta pelo financiamento de intérpretes de Língua Gestual que não vai parar enquanto for preciso.

A Hoyara é, antes de tudo, uma marca de joalharia. E é também um sítio onde a comunidade surda tem voz, e onde a inclusão não é um nicho, é o ponto de partida.

  • 2017

    Ano em que fundei a Hoyara, em Vila Nova de Gaia.

  • 925

    Prata de lei em todas as peças, com ou sem banho de ouro 24K.

  • 2025

    Co-organizámos o primeiro Mercado Surdo em Portugal, com a APS.

Na imprensa

O que se tem dito sobre a Hoyara.

Continuar

As peças que estão prontas a sair do atelier.